Fundação Biodiversitas cria a sua quarta reserva: a primeira dedicada a uma espécie aquática do Brasil

Reserva Ninho da Tartaruga dará proteção ao cágado-do- paraíba, um dos quelônios mais ameaçados do mundo

Belo Horizonte, dezembro de 2021 – A luta contra a extinção de espécies ameaçadas de nossa biodiversidade acaba de ganhar mais um aliado: a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Ninho da Tartaruga, localizada na região de Tombos, Minas Gerais. “Trata-se da primeira reserva dedicada a uma espécie da fauna de água doce em nosso país”, informa a ecóloga Gláucia Drummond, superintendente geral da Fundação Biodiversitas. São cerca de 100 hectares adquiridos pela instituição com o apoio da Rainforest, Trust e Turtle Survival Alliance, ambas instituições norte-americanas, sendo que a primeira é voltada para a proteção de florestas tropicais e de espécies ameaçadas e a segunda tem seu foco na conservação de quelônios ameaçados em todo o mundo.

O Ninho da Tartaruga está localizado às margens do rio Carangola, no município de Tombos, Minas Gerais. A criação da RPPN tem como principal objetivo a conservação do cágado-de-hogei (Mesoclemmys hogei), também conhecido como cágado-do-paraíba – quelônio que está entre os 25 mais ameaçados em todo o planeta. Outras espécies – tanto da fauna quanto da flora – acabam sendo protegidas com a implementação da RPPN. Esta é uma estratégia que a Biodiversitas adota como um de seus pilares conservacionistas, que após essa aquisição comemora sua quarta reserva. “Áreas protegidas como as que a Fundação Biodiversitas possui e administra são importantes também para a pesquisa científica, além da proteção se estender pelos ecossistemas onde a reserva está inserida”, explica a ecóloga. Segundo ela, esse é um passo muito importante – adquirir e regularizar as terras, transformar a área em unidade de conservação na categoria do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) de reserva privada e depois iniciar a implantação propriamente dita da reserva.

Cágado de hogei/cágado do Paraíba – um dos 25 quelônios mais ameaçados do planeta. Tombos – MG

Próximos passos

O fortalecimento da sua infraestrutura e serviços, tais como o cercamento da área, a construção de sede, base de pesquisa, casas para auxiliares de campo, entre outros equipamentos que possam tornar a reserva um centro de referência em pesquisa e educação ambiental na região é a próxima fase do projeto. “Assim como em todas as áreas protegidas pela Biodiversitas, o relacionamento com as comunidades do entorno, em especial as escolas, os produtores rurais e os pescadores, será uma de nossas preocupações. Não se faz uma reserva sem o apoio da comunidade local” ressalta Gláucia, que tem como importantes aliados os pescadores da região – amadores em sua maioria – mas que já entenderam a importância da conservação da espécie e definiram áreas para exclusão de pesca no rio Carangola por serem locais de grande concentração dos cágados. “Nossa intenção é promover a conservação, fomentar e desenvolver o conhecimento científico e auxiliar a população local a se adequar às novas realidades, por meio de programas de Educação Ambiental, Capacitação em Agroecologia, incentivo ao reflorestamento de nascentes, matas ciliares e corpos d’água, difundindo técnicas e métodos que possam ampliar e gerar alternativas de renda e melhoria da qualidade de vida da população ribeirinha da bacia do rio Carangola”, informa Glaucia Drummond, superintendente geral da Fundação Biodiversitas.

Parcerias

Um projeto como este, de implementação de uma RPPN exige a união de muitos esforços. A aquisição das terras foi viabilizada pelo suporte da Rainforest Trust, Wildlife Conservation Society e da Turtle Survival Alliance, que viram na proposta da Biodiversitas um passo importante na direção da conservação do cágado-de-hogei. O salvamento da espécie e seu hábitat faz parte das preocupações dessas organizações norte-americanas, mas que atuam de forma globalizada para a conservação da vida.

Outra parceria de peso é com o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN), braço científico do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO) – que, desde 2008, tem atuado em conjunto com a Biodiversitas nos trabalhos de pesquisa e conservação do cágado na bacia do rio Carangola. “A RPPN abrange 6km do rio Carangola, em uma área-chave para conservação desse quelônio tão ameaçado. Este local, além de concentrar uma das últimas populações do cágado nessa região, parece ser também um sítio de nidificação. A vantagem da criação da reserva está ainda na perspectiva do desenvolvimento de um trabalho de longo prazo, condição que é básica para a recuperação de estoques de espécies em declínio populacional”, explica Rafael Antônio Machado Balestra, biólogo e coordenador do RAN/ICMBio.

Políticas de proteção ao cágado-do-paraíba:

(Mesoclemmys hogei), popularmente conhecido como cágado-de-hogei ou cágado-da-paraíba figura na lista nacional de espécies da fauna ameaçada de extinção – IN  444 de 14 de dezembro de 2014 do Ministério do Meio Ambiente. Único quelônio de água doce ameaçado no Brasil, seu risco de extinção é considerado extremamente crítico. 

O cágado-do-paraíba está entre as espécies que compõe o Plano de Ação das Espécies Aquáticas Ameaçadas de Extinção da bacia do rio Paraíba do Sul – PAN PS, coordenado pelo RAN e CEPTA – Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Peixes Continentais do ICMBio.

O Rio Carangola é um dos sítios da AZE – Alliance for Zero Extinction ou Aliança para Extinção Zero.  A AZE é uma iniciativa global que tem como estratégia a proteção dos últimos refúgios de espécies ameaçadas de extinção.

 

Vista do rio Carangola – MG

Serviço:

Reserva Ninho da Tartaruga – Dedicada à conservação do cágado de hogei/cágado do Paraíba – um dos 25 quelônios mais ameaçados do planeta

Área da Reserva: 95 hectares
Localidade: Tombos – MG

Mais informações e imagens da espécie:

Marcele Bastos – Assessora de comunicação
comunicacao@biodiversitas.org.br | (31) 99991-5089

*Outras reservas da Biodiversitas:

– Reserva Mata do Passarinho – Divisa dos Estados de MG e BA – Dedicada à conservação do entufado-baiano (Merulaxis stresemanni), ave criticamente em perigo – uma das mais ameaçadas do mundo.

– Estação Biológica de Canudos – Canudos BA – Protege a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), espécie que quase foi extinta e só existe na região do Raso da Catarina.

– RPPN Mata do Sossego – Simonésia – MG – dedicada à conservação do muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), maior primata das américas.

1 comentário em “Criada a quarta reserva da Biodiversitas: a primeira dedicada a uma espécie aquática do Brasil”

  1. Parabéns pela Criação da RPPN NINHO DA TARTARUGA ! Preservar espécies ameaçadas ajuda a proteger o planeta e a nós mesmo !!! Viva o Cágad-do - Paraíba ! E Viva a Mata Atlântica !!! Estamos juntos nessa Vibe da Conservação !!!

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