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Ninho da Tartaruga

     Primeira Reserva Particular dedicada à conservação de uma espécie aquática no Brasil, o cágado-de-hogei (ou cágado-do-paraíba), um dos 25 quelônios mais ameaçados no mundo.
Cágado-do-paraíba, espécie criticamente ameaçada de extinção.

Reserva ninho da Tartaruga

Localizada às margens do rio Carangola, a Reserva Ninho da Tartaruga protege o cágado-de-hogei, que foi incluído entre as 25 espécies de quelônios mais ameaçadas do planeta. Este rio faz parte da bacia do rio Paraíba do Sul, que inclui parte do estado de São Paulo, na região conhecida como Vale do Paraíba Paulista, parte do estado de Minas Gerais, denominada Zona da Mata Mineira, e metade do estado do Rio de Janeiro.

Conhecida nacionalmente pela alta densidade humana e pela importância econômica de sua indústria, o grande desenvolvimento na bacia está associado a sérios problemas ambientais, em especial a perda de ambientes naturais e seus efeitos devastadores sobre a biodiversidade. Trata-se de uma lógica perversa, onde o desenvolvimento econômico está inversamente relacionado à conservação do ambiente natural.

Seguramente, a ameaça ao cágado, assim como de outras espécies aquáticas endêmicas do Paraíba do Sul, está associada ao estado de conservação da bacia, que é uma das mais degradadas de todo o país, devido à forte expansão demográfica e ao intenso e diversificado desenvolvimento econômico ocorrido nas últimas décadas na região Sudeste. O modelo de ocupação da bacia reflete na qualidade das águas do Paraíba, que tem como fontes poluidoras mais expressivas as de origem industrial, doméstica e agropecuária, além dos acidentes ambientais que com certa frequência devastam o rio Paraíba do Sul e seus afluentes. O fato da bacia estar localizada no bioma Mata Atlântica que, dentre os cinco biomas brasileiros, é o mais ameaçado devido ao seu estado crítico de devastação, serve também como indicador sobre os riscos para a sobrevivência do cágado-do-paraíba.

A Reserva Ninho da Tartaruga, portanto, surge para renovar as esperanças de salvar essa tartaruga da extinção. Para tanto, são desenvolvidas atividades de educação ambiental nos municípios da bacia, envolvendo a participação de produtores rurais, pescadores, poder público e escolas de toda a região. A expectativa é de que, a longo prazo, o modelo de uso e ocupação do solo ao longo desse território incorpore o componente ambiental como um dos eixos de desenvolvimento econômico, com reflexos positivos para a proteção dos recursos hídricos dos quais dependem uma grande parcela da população brasileira.